Recentemente, tive um déjà vu…
Será que um dia a IA vai sentir… ou apenas aprender a imitar o sentir?


Estava no meu estúdio, gravando frases desconexas para um trabalho — frases longas, com emoções bem definidas — e, de repente, veio essa sensação.
Ali, em frente ao microfone, sozinha, tive um insight que me levou de volta no tempo. Era 2006, na Escola de Arte Dramática, sob direção da Silvana Garcia, trabalhando com textos de David Barthelme.
Naquele processo, havia algo muito parecido com o que senti agora: a linguagem não linear, o nonsense, e a humanidade sendo expressa através de sons desconexos e emoções precisas. Era o corpo e a emoção, que davam sentido ao texto. Tudo cabia na boca — mesmo sem sentido.
E agora me vejo repetindo uma lógica parecida… só que, desta vez, para treinar máquinas.
Respondo a direções: “por favor leia essa frase como se estivesse se desculpando, agora como se estivesse muito grata, agora com raiva, com culpa, com tristeza, com alegria…
Não deixa de ser curioso: a inteligência artificial precisa do humano para aprender até o que escapa ao humano — o não sentido, o ruído, o intervalo. Talvez porque é justamente aí que a gente exista de verdade.
E é nesse entre — nesse espaço suspenso — que a voz me atravessa: entre o que expressa o humano de verdade e o que apenas tenta soar humano.
Será que um dia a IA vai sentir… ou apenas aprender a imitar o sentir?
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